No fim da estrada há um penhasco!
Sei do penhasco, não o temo.
Mas até este penhasco, Ah, meu Deus,
Quantas maravilhas.
Ontem passei por esta mesma estrada,
Que lindeza de se ver,
Dois filhos que derrubavam o pai no chão.
Os três que riam.
Que riso! Ah, era lindo.
Ficou lá atrás.
E chovera na estrada.
Caí, me machuquei.
Chorei de dor, tamanha que era.
Gritei!, minha mãe correu até mim.
Me beijou.
Ela está la atrás. Na estrada.
Hoje, meu amor deixou a estrada.
Ai, que esta estrada não lhe mostrara as belezas que me exibe.
Ou não. Quem sabe seus olhos foram cegados pela vida.
Esta flor que vem. Ela vem.
Que linda, ficou para trás.
Não vou esquecê-la.
No fim da estrada há um penhasco, vejo-o!
Posso desviar. Mas o que me faria de mal?
Fora este o meu caminho. Ah, eu sempre soube.
Posso ver, há uma cachoeira de águas brilhantes.
No fundo está minha mãe. E meu amor.
Olhe só, os tantos que me haviam fugido a memória.
No fim da estrada há um penhasco.
Bendito penhasco. Prêmio de minha vida.
Meus pés marcaram o caminho por onde andei:
Saberão me encontrar!
Pois que no fim de tudo há o penhasco:
Sigo aqui.
LUGAR ALGUM – Pouca luz. Um homem, em seus quarenta anos, extremamente sujo, está sentado sobre uma pedra que parece um banco. Parece silencioso e contemplativo. Feito estatua a espera de um ultimo golpe da natureza para rompe-la. Chega-se uma Mulher, quarenta e tantos anos, igualmente suja, o vê.
MULHER: Este banco: Quero-o. Saia agora.
HOMEM: É meu espaço para ver o tempo. Suma, maldita alma penada!
MULHER: Ora, já vago a tempo demais para tolerar tamanha insolência. Você é uma criatura infeliz que não merece nada além de sofrimento e solidão.
HOMEM: E você merece o que? Afeto? Banquetes? O que faz num lugar feito este se tal destino não lhe é merecido?
Olham-se em silencio.
MULHER: Eugéne?
HOMEM: O diabo e seus sortilégios. Quantos anos, eu nem me lembrava que me chamavam dessa forma...
MULHER: Não posso crer que este fora seu destino.
HOMEM: Não fale comigo com intimidade. Sei que quer meu lugar pra se acomodar, demônio sacripanta.
Ela se aproxima dele.
MULHER: Não consegue me reconhecer?
Silêncio.
HOMEM: Hora, nem me lembrava que você tinha existido algum dia. Que surpresa. Estou a anos esbarrando em novos e imortais desafetos. Não esperava encontrá-la. Você eu deixo sentar-se a meu lado.
MULHER: Eu devo estar aqui há uns cinco anos. Nunca tinha encontrado alguém que conhecesse. Pensei que fosse proibido.
HOMEM: Eu já sempre achei que fosse falta de sorte. No mundo sempre existiu mais patifes que outra coisa. Mas me diga Matilda, como anda a vida?
MULHER: Meu nome é Magnólia. Não é Matilda. E minha vida foi uma catástrofe, como sempre. Eu encontrei um noivo, que pouco depois me colocou pra fora de casa. Eu estava grávida. Roubaram-me a criança, e tive que aceitar as condições da vida informal. E você?
HOMEM: Eu vivi bem, como sempre. Marido e pai muito amado. Um chefe respeitado e admirado. Fui enganado, roubaram-me tudo, e eu me matei. Silêncio.
MULHER: Não pensei que seria diferente disso. Mas devo confessar que não acredito que tenha sido amado por sua esposa e filhos, ou admirado por seus subalternos. Ao contrario. Penso que amava a seu ego, e seu ego lhe retribuía com os prévios elogios cínicos dos que lhe roubaram. Eis o preço, perder a única coisa que realmente prezava. Seu poder.
HOMEM: Você se tornou cruel, Magnólia. Que mal eu lhe fiz?
Silêncio.
MULHER: Meu pai mexia as sobrancelhas desse jeito. Que saudade dele. Eu o odiava. - Me pergunto como você conseguiu morrer e chegar aqui mantendo um anel de ouro no dedo.
Silêncio.
HOMEM: Devo estar aqui, pela minha noção de tempo, há uns 40 anos. Nunca tinha reparado isso. Mas é verdade. Que importância esta aliança tem para fazer parte de mim a ponto de eu trazê-la para este lugar? Não posso pensar em nada.
MULHER: Você amava sua mulher?
HOMEM: No começo. Quando ela era frágil, doce, cheia de curvas. Desejosa. Quando ela não era mãe, mas uma jovem com vergonha de me deixar perceber o quanto se envolvia pelo calor e volume do meu corpo dentro dela. Mas depois ficou gorda. Nunca gostei de mulher gorda. Minha mãe era gorda. Minha mãe dizia que eu era um canalha ordinário. Morreu atropelada por cavalos. Deve ter merecido. E minha esposa, outrora bela, transformou-se num dragão. Uma coisa de aparência rude e modos ofensivos. Feito minha mãe. Via em mim um Deus, sem saber que eu a traia com as jovens mais belas de Paris.
MULHER: Será que não sabia mesmo? Eu sempre soube que você me traia.
Silêncio.
HOMEM: Céus, eu não estava certo. Tivemos um caso!
MULHER: Tivemos um caso?
HOMEM: Sim, tivemos um caso.
Silêncio.
MULHER: Este anel me intriga. Será que ele não está ligado ao motivo que o faz permanecer preso neste lugar sem poder descansar? Porque você está aqui?
HOMEM: Não sei. (tira o anel). Talvez você realmente tenha razão em dizer que eu sou egoísta, pois eu não consigo me lembrar de nada que tenha deixado por acertar.
Ele a entrega o anel.
MULHER: Meu nome está escrito aqui.
HOMEM: (desesperado. Milhões de lembranças lhe vêem a tona) Porque eu iria te pedir em casamento. Porque eu lhe gostava muito, mas Lily me traria mais oportunidades. Então eu apenas lhe entreguei a aliança que seria sua. Com apenas meu nome gravado. Terminei com você. Acabei com tudo. Ela me idolatrava. Você me ofendia. (PAUSA) Eu gostava disso. Sabia que você jamais teria engordado. Sempre soube disso. Isso me mantém aqui, neste lugar, inibido de paz e descanso. Eu fui um monstro com vocês, que ofereceram seus futuros inteiros pra mim. E você, minha querida, o que a mantém neste lugar?
MULHER: Quando terminou comigo, eu estava grávida de você. Meu pai... Arrumou-me um noivo, que descobriu que tudo era uma farsa. Casou-se comigo só para me humilhar e acabar com minha família. Tive de amadurecer na rua, aonde não me restou escolha a não ser vender minha dignidade a quem a quisesse. Numa noite, enquanto quatro homens me possuíam, eu comecei a chorar. Porque naquele momento eu queria estar com meu marido e nosso filho. Mas estes eu jamais saberia onde estavam. Me mataram. - - Você me pergunta o que me mantém presa aqui, eu lhe digo, meu amor. O que me mantém aqui é o fato de que te odiei em cada dia da minha vida, e porque me odiava mais ainda, por saber que eu ainda sonhava estar com você.
A luz sobre eles torna-se forte. Eles viram-se pra se abraçar, mas antes disso, a cena acaba.
SÓ LEIA O RESTO DEPOIS DE VER O FILME, SENÃO VAI ESTRAGAR:
Bom, primeiro de tudo, preciso justificar a falta de ensaios... Minha irmã só tinha lido o roteiro no dia(estava na mão dela há uma semana), e eu fiquei muito puto com isso. Ela chegou do trabalho um dia antes, e esqueceu de colocar pra carregar a bateria da câmera, e eu fiquei muito puto com isso. Ela estava há mais de um mês sem usar a câmera, mas estava com muita memória ocupada, e esqueceu de esvaziar o cartão de memória, e eu fiquei muito puto com isso.
MAAAAAAAAS, tudo bem. Tivemos que lidar com o improviso dela, que foi muito ruim, mas ficou engraçado, porque ela nunca tinha feito nenhum video de nada até então. Ela reinventou a história do Fantasma, e eu não gostei nada disso, mas não tive muita escolha, pois não tinha memória nem bateria pra refazer tudo.
No roteiro, o fantasma matou sua amante, e depois retalhou-se pela serra da cantarreira, deixando espalhados os seus membros. Em uma caminhada, uma pessoa achou um braço, e chamou a polícia. A polícia investigou o lugar, e descobriu que havia dois corpos mutilados pela Serra, e quando juntaram todas as partes do corpo do homem e colocaram dentro deum saco de lixo, ele se levantou, e matou todo mundo. E assim começou a lenda do Fantasma da Cantareira.
E no final descobrimos o propósito(fracassado) da heroína ao fazer seu documentário. Bom, querem saber de mais uma curiosidade? Eu achei que ficou tão interessante(e amador, claro), que eu resolvi mandar junto com uma ficha para incrição do programa, e, pásmem, eles ligaram, mas ela não queria, e não rolou.
Filmamos numas trilhas no Parque do Horto Florestal. A câmera era uma Sony Cybershot Dsc-w55. Editei com o Windows Movie Maker. Usei várias músicas dos jogos da série Silent Hill. Elas aliás foram as grandes estrelas da produção.
Enquanto estive editando, comecei a mudar a ordem das cenas no mato, que, Good Lord, descobri que filmado tudo parce muito mais fechado. Foi extraordinário. Achei engraçado observar as reações de alguns amigos que disseram só não sentir medo por conta da canastrisse, não simplesmente da minha irmã, que com certeza faria coisa muito melhor hoje, mas a minha, a da câmera, e de todo o resto, que apesar de tudo, fizeram parecer engraçado.
Sobre as atuações... Um caso a parte. Teve cenas cortadas. Uma que alias me corta o coração, que é aonde eu mostro uma planta muito comum alí na região, que é o "Pé-de-preservativos". Incrível como tem gente que gosta de brincar no meio do mato, e ainda mais incrível é ver que a pessoa parece fazer questão de deixar rastros. Mas, voltando às atuações. eu compreendo a dificuldad que minha irmã teve em manter-se séria e racional quando vê o Fantasma da Cantareira, brilhantemente interpretado pela minha mãe.
É irresistível não conter a surpresa com o figurino surpreendente que eu e minha mãe desenvolvemos especialmente para o projeto: "Figurino do Fantasma da Cantareira". E devo um agradecimento mais do que especial à minha querida amiga Fernanda, assistente de produção, que segurava a câmera, ou quauqler coisa, enquanto discutiamos sobre como poderiamos resolver este ou aquele problema.
Penso que o mundo é um lugar estranho.
Eu que sempre achei que estava certo
Acabo vendo que nunca estive errado,
Acabo vendo que também estavam certos
Aqueles que me diziam ser errado.
O propósito me atirou pra frente.
À frente de tantos.
Não estou aonde quero,
E onde estou estou sozinho.
Sinto falta de ser criança.
A vida com os propósitos me parece ter mais sentido,
Mas a vida sem eles, é mais fácil de viver.
Mais livre para ser.
Sinto falta da inocência.
Mas não a da pureza.
A da ignorância mesmo.
Cadê o amor, que dizem estar sempre reservado?
Cadê a dita prosperidade, que dizem ser alcançável?
O que devo eu pedir em minhas orações?
Prosperidade, para compartilhar com outros?
Ou amor, para me compartilhar só com um?
Honestamente? Prefiro o amor.
Cadê o egoísmo, a cegueira do amor?
Quero esquecer que o mundo está acabando,
Quero esquecer que sentem fome.
Quero esquecer que eu sinto fome.
Eu só quero amar.
Oh, liberdade enganosa, falso afeto que convence o remetente, mas desgosta-me a vida. Porque tal descrença, visto que o mundo jamais me conheceu?
Ah, que desprazer, decepção, ver o falso amor que só demonstra orgulho nos momentos de glória. Quantas lições me são dadas, mas quantos, de fato, me ensinam algo?
E os infelizes, que me julgam todos os dias... O que faço eu para lidar com o prazer da inferiorização? Rejeição, ciúmes, inveja: só por meu propósito ter vindo mais cedo. Estou exausto... Ser sempre o único a se preparar para o futuro, sempre o único a encorajá-los aos sonhos.
Como se o Preparar-se-Para-O-Futuro não cobrasse sofrimento, solidão e outra grande sorte de necessidades vitais.
Mas qual o preço? Os favores, pois que tudo aquilo que a mim é feito, vem como favor. Que eu não me esqueça que certos tipos de amor só existem nas utopías.
As pessoas se vendem por tão pouco, e se admiram com o que lhe parece muito, quando nada mais é do que a sobra de alguém.
Não estou à venda. Mas já não sei mais se isso é bom ou ruim. Só sei que é difícil.
Eu não posso escolher. Tenho que me submeter a ser uma presa. Então não quero.
Eu acho que muitas pessoas me amam. Mas como saber. É difícil. O quanto a gente importa?
Não quero viver pelo dinheiro. Ou para o dinheiro. Eu quero ser livre. Mas como isso é possível?
Eu tenho medo do futuro. Nunca tive, até hoje, mas parece que tudo mudou.
Então não posso ser feliz. É o que a vida me mostra. Não é relevante o que eu sou ou faço, mas o que eu posso ter se me sujeitar a viver como o mundo me propõe.
O que será que a vida quer me dizer com isso?
Ela quer que eu acredite nisso, ou quer que eu entenda alguma outra coisa? Se for para entender outra coisa, o que seria? Que não posso desistir?
Indiferente. Nunca desisti até hoje. Tenho 23 anos. Eu sei o que eu quero para o meu futuro, e sei o que eu sinto para o meu futuro. E dispor da minha integri9dade nunca foi uma meta. Não será apartir de hoje também. Então como eu prosseguirei?
Enjoei do mundo, da vida, e até das pessoas. Não pretendo tomar nenhuma atitude radical. Mas tenho que admitir pra mim mesmo que o mundo agora é preto e branco. Preto, branco e sem música.
Se alguém ler isso, Feliz Natal.
Alex Pedro
Quarta-feita, 23 de dezembro de 2009. 19:27
Segunda-feira, 17 de agosto de 2009, 12 horas e 30 minutos.
Quando era criança, aos doze anos, lembro-me de ter o almoço do dia dez de fevereiro de 1998 interrompido pela chegada abrupta e desolada de minha avó Adelaide, que dizia ter recebido a ligação de um hospital chamando-nos para ver meu avô Antônio. O dia seguiu normalmente, e eu fui para a escola. No meio da aula de inglês da professora Geovanina a porta se abriu, e Dona Penha, inspetora de alunos, me chamou. Disse que minha outra avó, Angelina, estava lá para me buscar. Fiquei feliz por não ter que ficar até o final do dia na escola. Quando cheguei em casa ela me disse que meu avô tinha morrido. Não me lembro da sensação, mas me lembro que foi horrível, e que fiquei em silêncio por um segundo antes de traduzir as palavras para entender o que aquilo significava. Para que eu não ficasse sozinho, ela me levou na casa do meu tio Carlos, e lá estava a cunhada dele, Jacira. Como são todos evangélicos, ela tinha na mão uma bíblia sempre pronta para ser aberta. Ela abriu, da forma mais casual, e eis o que surgiu: Mateus 14:27. Enquanto Jesus caminhava pelas águas, e os apóstolos se assustavam, Jesus Cristo lhes dizia: “Tranqüilizai-vos, sou eu, não tenhais medo”. Eu acredito que há no mundo muitas coisas que nem todos os livros sagrados de todas as religiões juntos seriam capazes de explicar, tanto quanto tenho certeza de que todos carregam em si uma parte do Todo Inexplicável. Não era Jesus que trazia meu avô para junto de si, era a lei sagrada que não precisa nem de Deus ou qualquer doutrina para ser explicada: tudo que é vivo morre. Pois vivemos num mundo de matéria. É o único caminho certo que temos. Quase cinco anos depois que meu avô morreu, foi a vez de meu pai morrer. Alfredo Simões. Ele não era o modelo mais adequado de pai, mas acho que foi perfeito para mim, porque, ainda que eu nunca chegue a lugar algum, foram as adversidades e medos que tive que fizeram-me como sou hoje. E eu não me sinto nem covarde, nem acomodado, nem descrente, ou melhor que ninguém. Foi a primeira vez que fui a um velório, desde que era muito pequeno. E não derramei sequer uma lágrima por ele. Mas quando vi minha avó Adelaide, mãe dele, chorar, eu pensei e disse à minha mãe que ele teve sorte, pois não viveria sem a mãe dele. E então chorei, pois aquele sim fora um pensamento pesado. Foi depois de tudo isso que comecei a perceber como a vida tridimensional não combina com o tempo bidimensional, e que logo, nada fazia sentido, para tanto, nada deve ser temido. Pensei então que nem ele teve sorte, nem minha avó tivera azar. Ele não morreu porque era a hora dele. Mas por problemas de saúde que poderia ter evitado se fosse um homem mais prudente. Assim como vi com muitas pessoas desde então. Eu percebi que a morte já não me impressionava mais. Não era mais uma sombra desconhecida e temível. Mas uma sombra desconhecida que, já que eu sei que não tenho escolha, espero ser capaz de aceitá-la com boas vindas, para que seja mais fácil. Como professor Dumbledore sabiamente disse, “para a mente bem estruturada a morte é apenas a grande aventura seguinte”, ou “Não há nada a ser temido num cadáver, Harry, assim como não há porquê temer a escuridão. Lord Voldemort, que secretamente teme ambos, discorda.(...) É o desconhecido que nos atemoriza quando lidamos com a morte e o escuro, nada mais que isso.” Em 2003, alguns meses depois da morte de meu pai, ouvi, num filme, uma música que era a seguinte:
Lay down your sweet and weary head/ Night is falling, you have come to journey's end/ Sleep now and dream of the ones who came before/ They are calling from across a distant shore/ Why do you weep? What are these tears upon your face/ Soon you will see, all of your fears will pass away/ Safe in my arms, you're only sleeping/ What can you see on the horizon? Why do the white gulls call?/ Across the sea a pale moon rises/ The ships have come to carry you home/ And dawn will turn to silver glass/ A light on the water, all souls pass/ Hope fades into the world of night/ Through shadows falling/ Out of memory and time/ Don't say we have come now to the end/ White shore are calling/ You and I will meet again/ And You'll be here in my arms, just sleeping/ What can you see on the horizon? Why do the white gull call?/ Across the sea a pale moon rises/ The ships have come to carry you home/ And all will turn to silver glass/ A light on the water/ Grey ships pass into the west. Mantenha baixa sua cabeça doce e exausta/ A noite cai, você chegou ao fim da jornada/ Agora durma e sonhe com aqueles que vieram antes/ Eles chamam, de alguma praia distante/ Por que você chora? O que são estas lágrimas em seu rosto?/ Logo você verá, todos seus medos irão passar/ A salvo em meus braços, você apenas apenas dorme/ O que você pode ver no horizonte? Porque as gaivotas brancas cantam?/ Além do mar surge uma lua pálida/ Os barcos vieram para levá-lo para casa/ E a madrugada se tornará um vidro prateado/ Uma luz sobre a água, todas as almas partirão/ A esperança mingua pelo mundo da noite/ Caindo pelas sombras/ Além da memória e do tempo/ Não diga que agora chegamos ao fim/ Ondas brancas nos chamam/ Você e eu nos veremos outra vez/ E você estará aqui em meus braços, apenas dormindo/ O que você pode ver no horizonte? Porque as gaivotas brancas cantam?/ Além do mar surge uma lua pálida/ Os barcos vieram para levá-lo para casa/ E tudo se tornará vidro prateado/ Uma luz sobre a água/ Barcos acinzentados partem para o oeste.
Acho que por hoje é só. Boa vida, e uma ótima morte a todos nós. Alex Pedro
Quinta-feira, 6 de agosto de 2009, 14 horas e 10 minutos.
Não sei por onde começar, mas deveria? No meio do caos de tanta preocupação e medo, só o que posso dizer é que o fim de todas as coisas está próximo. Deve estar. Talvez seja ele, o fim, que sopra tanto medo a meus ouvidos. Talvez seja seu bafo, maldito bafo, que força essa treta estúpida na mente imunda das pessoas medíocres. Vê a que ponto chegamos nós, humanos. Vê só. Nada adianta ou importa. Não há vergonha ou amor, e a magia está morta, pois que morto está o amor que, de poder, é hoje chamado de sentimento! Nunca mais andarão homens sobre as águas, mas eu sei do que eu vi, e hoje andam sobre cadáveres de irmãos. E riem. Devo eu chorar? Ou devo almejar fazer caminho sobre os corpos destes que andam sobre outros? Mas se fazer isso, farei de meu próprio amor um mero sentimento, e acabarei por fazer de único poder a força terrível e irresistível do rancor! Isso nunca. Jamais. Hei de sangrar-me por estas terríveis desventuras, e sei que um dia estarei eu próprio estirado no meio desta infindável estrada corpos. Sei que se eu mesmo não fizer o mal, outro virá e o fará em meu lugar. Pois que faça. Que venham, pois, as dores. Todas elas. Alex Pedro
No dia 28 de novembro de 2007 eu deveria estar inspirado por algum romance que eu estava escrevendo ou lendo. Claro, pois minha vida sempre foi emocionalmente monótona. Mas escrevi o seguinte: “O Que É O Amor? “Amor é poder ter em quem pensar quando acorda, mais do que na hora de dormir; amor é se esforçar para perdoar aquilo que você jamais faria, pisando no próprio orgulho; “É se sujeitar a ser apenas presença, e fazer de sua uma alegria que não parte de você. Se orgulhar disso. “O amor é pura e simplesmente o amor. Por isso vale a pena. O amor é digno da morte, e mais digno da vida é aquele que morreria por um verdadeiro amor.” Acho que já li reflexões piores sobre o amor, por isso não me envergonho em postar aqui. Mas também não me superestimo, pois sempre fico encantado com a simplicidade com que Joseph Campbell fala sobre o amor em O Poder do Mito: “(...) Então pelos olhos, o amor chega ao coração... Pois os olhos são os guias do coração. Os olhos procuram o que o coração gostaria de possuir. “E quando estão de pleno acordo, e os dois estão em harmonia... Nasce o perfeito amor, que brota daquilo que os olhos tornaram bem-vindos ao coração. “Os verdadeiros amantes sabem: O amor é a perfeita bondade que nasce, sem dúvida, do coração e dos olhos. Esse argumento sozinho parece uma reflexão bonita sobre o que é o amor passional, e porque costumamos olhar tanto para todas as direções, porém, o argumento no qual essa reflexão é feita é fascinante. Bom, deixo, então, duas recomendações: 1 – assistam a O Poder do Mito e 2 – amem alguém verdadeiramente. Alex Pedro.
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Escritor, Diretor... Escrevo desde os doze anos, atualmente envolvido em um projeto teatral lindo com um grupo maravilhoso; escrevendo disciplinadamente para este blog; contribuindo com contos para o jornal português Horizonte, e com mil outros planos no gatilho.
Gosto muito de ler bons livros, assistir a boas peças e bons filmes, ouvir boas músicas, e degustar boas conversas na companhia de bons amigos. E quem não gosta? ;)